Era uma noite mais
que especial. Lua cheia e uma grande multidão de jovens se aglomeravam em meio
à multidão na beira da praia. Era um encontro cristão e ali um rapaz pregava
falando da necessidade que tínhamos em viver uma vida com Deus.
Em meio as
palavras profundas, Pedro, um jovem surfista, conseguiu fazer a conexão entre a
relação que possuía com a vida e a natureza e a existência e presença de Deus.
No final do sermão,
antes de finalizar, o pregador faz um convite às pessoas entregarem suas vidas
a Jesus. Pedro não teve dúvidas, levantou sua mão em sinal de aceitação.
Outras pessoas
também sinalizaram e o pregador os chamou para orar e encaminhar para uma
equipe que os acolhia pegando os dados para um convite à igreja no dia
seguinte.
Pedro foi lá,
preencheu os dados que solicitaram e ficou de aparecer no outro dia pela manhã
na igreja lá perto do pico onde surfava diariamente.
No outro dia
acordou bem cedo, fez seu surf com um sentimento maravilhoso em seu coração. Sentia
nitidamente a presença do Criador das Ondas ao seu lado em cada tubo, em cada
manobra que realizava. Ele havia começado a perceber que Deus sempre esteve
perto dele e ele não tinha notado. Um surf maravilhoso que foi interrompido
devido a hora e o compromisso na igreja.
Correu para casa,
tomou banho e partiu em direção a igreja. Lá encontrou alguns colegas da noite
anterior. Foi muito bem recebido. Logo tiveram uma reunião de acompanhamento
onde um líder se apresentou dando boas vindas. O líder percebeu pelo visual de
Pedro que ele era surfista e assim que acabou a reunião o chamou em particular
e disse: - Pedro, estou muito feliz que tenha tomado uma decisão tão importante
em sua vida. “Agora você faz parte da família de Deus, algo que antes você não
fazia parte.”; Pedro ficou logo achando algo errado. Como poder se ele havia
começado a perceber que Deus sempre esteve perto dele e ele não havia notado?
Em seguida, o líder
disse a ele que estava percebendo que era um surfista: Pedro percebo que você é
um surfista e preciso lhe dizer que agora que você é um cristão não pode mais
surfar pois isso é coisa de gente pecadora. “- Você precisa abandonar esse surf,
pois quem é cristão não pode surfar, afinal isso é coisa do demônio e se você
continuar vai para o inferno.
Que loucura!
Pensou Pedro. Como pode ser isso? Algo não estava fazendo conexão. Pedro ficou
triste e saiu dali frustrado. Havia encontrado algo tão maravilhoso em sua vida
que fazia todo sentido para o que vivia e agora precisava largar o que amava
fazer. O surf era sua paixão. Como poderia ser algo maligno?
Naquele dia
resolveu dar um tempo naquele lance de igreja e retornou a praia. Se não dava
para seguir a Jesus sendo surfistas preferiria continuar da forma que era.
Quando estava na
praia, triste, outro surfista quarentão percebeu que algo estava errado com
aquele garoto. Chegou mais perto para conversar. Seu nome era João.
- Olá rapaz, meu
nome é João qual o seu? - Pedro,
respondeu.
- Vejo que está
triste e com um mar desses na nossa frente bombando. O que há de errado.
Pedro contou toda
a história. Disse que não entendia como antes se sentia no céu, no paraíso e
agora o que era paraíso para ele havia virado inferno.
João olhou com
amor para aquele garoto que havia sido bombardeado por valores equivocados em
relação a Deus. Estava na cara que havia freqüentado um lugar onde o amor e a
graça de Deus não haviam sido compartilhados. Sem dúvidas, um dos maiores males
dos nossos dias: relacionar o amor de Deus a condições, posturas de ser.
João disse a Pedro
que essa questão sobre céu e inferno era muito complexa. Que tudo isso era uma
tentativa do ser humano de conter as pessoas em meio a uma estrutura de domínio.
João complementou
dizendo que Céu, Paraíso, é estarmos aqui na terra vivendo ao redor das pessoas
que amamos e amando as pessoas que são injustiçadas. Paraíso e vivermos uma
vida bela até o último dia. Ser lembrado pelos amigos como uma pessoa que fez a
diferença a partir dos valores que viveu. Isso é viver um Paraíso e o surf de
Pedro sem dúvidas era o ambiente onde ele poderia amar as pessoas que se
identificavam com seu estilo de vida.
O inferno, disse
João, é justamente não vivermos ao redor de quem amamos. É vivemos uma vida
voltada somente para nós mesmos sem valorizar o outro. Sermos egoístas e
usarmos as pessoas ao invés de amarmos. Isso nos leva a chegar no fim da vida
vazios, sem pessoas com boas lembranças sobre nós mesmos. Vivermos uma vida
onde não fizemos diferença por onde passamos. Inferno é você Pedro deixar de
viver seu surf e buscar ser alguém que você não é. Isso é inferno.
João completou: -
Pelo que vejo você teve um encontro com o Criador das Ondas e isso é muito
belo. Você não precisa provar mais nada para ninguém. Você já provou para Deus
quem você é e Ele morreu por você em Jesus. Não busque aceitação das pessoas seja você
mesmo. Isso sim agrada o coração do Criador.
Pedro deu um
abraço naquele estranho como se estivesse dando um abraço no próprio Jesus. Sem
dúvidas o Criador das Ondas fez de João uma expressão do seu amor na vida de
Pedro. Agora ele estava entendendo que nada que fizesse poderia expressar o
Amor que Deus tinha por ele.
Pedro seguiu para
dentro do mar morto de feliz entendendo que o que precisava fazer era viver o
amor que Deus possuía por ele. Viver esse amor e expressá-lo para os amigos.
Boas Ondas
Em homenagem ao
meu grande amigo Lucas Lujan, companheiro de caminhada.
Por: Carlos Bezerra

