segunda-feira, 29 de junho de 2009

O inferno


Por Carlos Bezerra

Mateus 8: 5-13

Entrando Jesus em Cafarnaum, dirigiu-se a ele um centurião, pedindo-lhe ajuda. E disse: “Senhor, meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento”.
Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo”.
Respondeu o centurião: “Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando. Digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem. Digo a meu servo: faça isso, e ele faz”. Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: “Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé. Eu lhes digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus. Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”.
Então Jesus disse ao centurião: “Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá!” Na mesma hora o seu servo foi curado.



Esse trecho da bíblia é massa! Nele a gente encontra um centurião romano demonstrando a sua fé em Jesus, em seu poder. Um centurião romano reconhecendo em um homem aparentemente igual a qualquer outro homem a presença de Deus. O próprio Deus que está além das leis e regras naturais. Um centurião romano que olha pra Jesus e percebe que ele tem poder de curar e em sua percepção deposita a sua fé, o seu desejo de que a vida do servo seja curada. Ele percebe que tudo que se poderia ser feito pelos homens da época já tinha sido feito e que somente Deus poderia trazer a saúde de volta ao seu servo.

Como Jesus diz a fé daquele homem é enorme e ele gerou admiração no coração de Jesus.

E Jesus diz que muitos virão de todas as partes do mundo e participarão do Reino de Deus, participarão da caminhada incrível que é caminhar ao lado de Deus. Ele diz que muitas pessoas de todas as partes do mundo estarão conscientes da presença de Deus em suas vidas e participarão de um Reino que não é o Reino Romano mas, um reino que está além do maior reino existente na época que é o Império Romano.

O Reino que Jesus estava ensinando e proclamando possuía valores que geravam vida e que tinha como prioridade o amor ao próximo e ao Criador.


O Reino conhecido da época tinha outros valores e Jesus convida seus seguidores a viverem um Reino diferente, a caminhar rumo a um estilo de vida diferente.

E Ele diz que “os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. Ele diz que quem está se dizendo “amigo de Deus”, quem está dizendo que possui acesso a Deus, quem controla a religião da época será jogado fora desse reino porque eles não perceberam que o que tem mais importância é a vida e não sacrifícios. Eles não perceberam que a caminhada com Deus é totalmente diferente do que eles estavam propondo. Que a relação com Deus nos leva para uma vida abundante e não para uma vida de culpa, uma vida regada por falsidade onde dizemos que somos perfeitos quando na verdade somos limitados e pecadores e precisamos do amor de Deus para restaurar nossa vida, nossa caminhada.

E Jesus diz que eles serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes.

Aqui eu queria chamar a atenção de você para algo. Se você perceber, a palavra inferno aparece quatorze vezes na Bíblia, doze dessas ocorrências estão nos ensinos de Jesus. Essa palavra originalmente no grego chama-se gehenna e no português foi escolhida na tradução a palavra inferno.

Gehenna é uma referência ao Vale do Hinnom, uma ravina na região sul da cidade de Jerusalém. Esse vale durante muitos anos foi o cenário de mortes horríveis e violentas e passou a ser visto como um lugar amaldiçoado.
No tempo de Jesus, o local havia se transformado no depósito de lixo da cidade. Lixo, dejetos, animais selvagens brigando por restos de comida, o fogo ardendo da combustão. Era um lugar de despejo e destruição. Algumas pessoas na época se referiam a esse vale como um lugar onde havia ranger de dentes e onde o fogo jamais se extinguia.

Por isso quando Jesus emprega a palavra gehenna, ela é carregada de sentido real. Todos sabiam do que ele estava falando. Ele estava falando de um lugar específico.

O que Jesus estava querendo dizer era algo muito maior que gerar medo ou culpa nos corações. Tipo, ele não estava querendo intimidar a todos a o seguirem porque senão iriam pro inferno. Ele queria dizer que quem se propõe verdadeiramente a viver o Reino de Deus tem que ter o compromisso com a verdade, com a vida. Que se a pessoa usar a máscara (hipócrita no grego) de homem de Deus para seu próprio benefício e para oprimir as vidas que buscam a Deus, será lançada nessa região, ela será excluída do Reino e viverá uma vida onde não haverá Paz, uma vida onde ela estará excluída do Reino porque a sua escolha não foi nobre.

Mas esse ser lançado não quer dizer que os cristãos a lançarão nesse lugar. Elas é que se colocarão nesse lugar. Elas que acabarão se colocando nesse “inferno” de vida onde não haverá Paz em suas almas. É uma questão de escolha, a escolha de caminho que elas fizeram.

Em verdade, Jesus está alertando os religiosos, os fariseus e os sacerdotes de sua época e de todas as épocas da história humana. É uma prova de carinho e cuidado de um Deus, de um Pai que quer gerar vida abundante em todas as pessoas de todos os lugares. Como ele diz: do oriente ao ocidente.

Que possamos olhar para a nossa caminhada não como algo que estamos fazendo para não ir pro inferno. Que possamos sentir e viver um cristianismo que gera uma vida melhor, um cristianismo que transforma nossas escolhas, que faz a gente buscar atitudes que geram vida, que trazem coisas boas para nossa caminhada. Que nos livra de pegar nossa vida e transformar em um inferno, em um monte de más escolhas que nos leva a nossa própria destruição e a destruição de outras pessoas. Que a gente possa optar pelo cristianismo, pela vida abundante, por ser esse o melhor estilo de vida para se viver. Que possamos buscar em Cristo luz para lermos a bíblia e para trazê-la à nossa vida e poder gerar vida abundante para quem nos cerca e para nós mesmo.

Boas Ondas,

Um comentário:

Amauri Damasceno disse...

fabuloso cara muito irado

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